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Jogadora
de Voleibol em nível profissional durante quase trinta
anos no Brasil e no exterior, e ex integrante da seleção
brasileira. Sempre tive minha câmera fotográfica
como testemunha de bons momentos vividos mundo afora durante
esses anos.
A decisão de me tornar uma fotografa profissional
aconteceu naturalmente após
encerrar a minha carreira de atleta.
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Entrevista concedida
à Revista PANORAMAITALIA
Publicada no Canadá e na Europa
Verão de 2008 |
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Uma
Brasileira de Coração
verde, branco e vermelho!
A Itália sempre foi um sonho para mim. Desde
pequena exercia um grande fascínio sobre mim
sua história, seus poetas e seus maravilhosos
monumentos. Sempre acreditei que em qualquer modo
que os meus costumes fossem similares ao dos italianos:
o amor pela cozinha, pela música e pelos espetáculos
cultais/artes.
No ano de 1991 depois de ter decidido continuar a
minha carreira no voleibol, deixei o Brasil partindo
para a sonhada Itália. Já tinha a experiência
de jogar pela Seleção Brasileira infanto
e juvenil, e vinha da melhor escola de voleibol do
mundo! Esse fato somava a meu favor, e mesmo se eu
não conseguisse fechar nenhum contrato no voleibol
italiano (melhor campeonato do mundo), estaria correndo
atrás de meu objetivo. Na pior das hipóteses
eu faria um giro pela Europa e algumas belas fotos
do velho continente.
Expus minha idéia a meus pais, que a princípio
não foram muito favoráveis. Tinham medo
de me deixar ir e chegaram a ficar bastante contrariados
com minha persistência. Eu tinha apenas 21 anos
e fazia parte de uma família de classe média.
Não tinha necessidade de partir para poder
viver dignamente, como fazem tantos brasileiros. Minha
vida era maravilhosa no Brasil. Vivia em Belo Horizonte/MG,
sudeste do Brasil e possuía casa, carro, comida
e roupa lavada. Nada me faltara nunca, e além
de tudo vivia num fantástico país ensolarado
e de clima tropical. Mas, o sonho italiano “levou
a melhor” (como diriam os romanos).
Deixando meus pais e 4 irmãos queridos, parti
em agosto, com uma amiga também atleta, e não
tínhamos a mínima idéia do que
nos esperava! Qual não foi a nossa surpresa
ao encontrar várias lojas, restaurantes e escritórios
literalmente fechados. No Brasil, nem mesmo nas férias
as coisas fecham assim! Decidimos ver um pouco da
Europa e algumas cidades turísticas italianas,
já que até o fim de agosto a Itália
estaria parada.
No mês de setembro fui convidada pelo técnico
Ênio Figueiredo e fui treinar em “fano”
com a sua equipe: “Conad-Fano”. Ênio
me conhecia do vôlei brasileiro e da tradicional
equipe do Minas Tênis Clube, da qual eu pertencera
por tantos anos. Ênio me deu um grande apoio
sabendo da minha vontade de realizar “meu sonho
italiano”. Gostei de cara da pequena “Fano”.
Cidadezinha banhada pelo mar Adriático com
belas praias e um movimento mais parecido com o do
Brasil. Treinava, ia à praia aproveitando o
calor do verão europeu e logo fiz boas amizades
com minhas companheiras de time, sobretudo com a Argentina
“Paula Parisi”, minha companheira de boas
violadas.
A saudade era grande, mas em Fano, vivendo todo esse
clima familiar e convivendo com outros brasileiros
que faziam parte do time (como as jogadoras Heloísa
Poese, Ana Flávia e Fátima e a fisioterapeuta
Letízia M.) a nostalgia de casa se tornava
suportável. Nas horas vagas, estudava italiano.
Queria a todo custo aprender aquela língua
maravilhosa! Desse período fiz belos registros
acompanhada sempre de minha inseparável câmera
e fotografava a tudo e a todos, mandando cartas recheadas
de fotos a meus familiares no Brasil, com a intenção
de dividir mesmo que à distância, as
emoções que a Itália estava me
dando.
Após 3 meses na Itália, fui convidada
a fazer um teste numa equipe de séria A2 (Aster-Roma)
em Roma, onde acabei assinando por 2 anos de contrato.
Não foi fácil adaptar-me à cultura
italiana, mas me sentia muito bem recebida em minha
nova terra! Impreterivelmente, a cada fim de temporada
(9 meses), voltava correndo para o Brasil. Em meu
segundo ano em Roma, meus pais e minha irmã
maior vieram me visitar e fizemos algumas viagens
juntos pela Itália e Europa: Roma, Florença,
Assis, Perugia, San Geminiano, Veneza... foram 40
dias deliciosos. Recordações magníficas
e eternas.
A melhor parte de toda essa bela estória, foi
Gegê, uma cadelinha vira-lata encontrada abandonada
pelas ruas de “Ascoli-Piceno” que acabei
por adotar. Por quase 10 anos, fomos companheiras
inseparáveis de vida e viagens pela Europa,
Argentina e Brasil.
Em meu terceiro ano vivendo na Itália, fui
contratada por uma equipe de Milão: “Orion
Feas”, Série A1. Fui muito feliz jogando
nessa equipe, mas viver em Milão com o seu
clima gelado e dias acizentados não foi nada
fácil.
Ao fim de 4 temporadas italianas decidi voltar para
casa e me dedicar ao vôlei de praia. No ano
de 2006 recebi mais um convite para tornar a jogar
vôlei indoor italiano e fui alguns meses para
Reggio-Emília.
Ao fim dessa temporada estava decidida a levar mais
a sério a fotografia e fui morar em Roma e
estudar numa escola romana de fotografia. Vivia em
um sítio-floricultura lindíssimo com
um grande amigo Marco Menchinella, proprietária
do local (vivaio natura é...).
Após 30 anos jogando voleibol era chegada a
hora de me dedicar somente a minha segunda paixão:
fotografia (www.vanessalage.com).
O
que mais gosto na Itália?
Em primeiro lugar, sorvete de morango (pura fruta)!
Depois: Roma! Pegar o metrô até a “Piazza
di Spagna”, andar a pé passeando e fotografando
o movimento. Parar extasiada em frente ao “Phanteon”,
escrever postais e pensar nos amigos sentada aos pés
da “Fontana di Trevi”. Esperá-la
acender suas luzes mágicas (e mais belas fotos!).
Parar em frente à embaixada brasileira e ver
tremular com orgulho a bandeira do meu Brasil... enfim,
me perder em toda aquela cultura e não conseguir
guardar a câmera por mais de cinco horas seguidas!
Em terceiro lugar, la pasta! (massa) e la pizza com
muzzarela di buffala, aspargos e camarão! Em
quarto, adoro viajar de trem, apesar de que em 2006,
custava menos viajar de avião pela Europa!
Em quinto dirigir de Roma até Ascoli Piceno,
admirando as montanhas que cercam Roma (Gli Alpeninni)
a neve e os rios transparentes, enfim toda aquela
natureza belíssima até chegar na bela
Ascoli e rever alguns amigos queridos.
Posso enumerar mil coisas que aprendi a amar na Itália!
Continuando... em sexto lugar, acho particular e bonito
o hábito que se tem na Itália de comprar
flores sem um motivo especial, e levá-las para
casa. Em sétimo: comer um bom prato de “massa
al dente” e um vinho tinto rigorosamente italiano!
Enfim, creio que a Itália, minha inesquecível
cachorrinha Gegê, e a cultura italiana tenham
feito de mim uma pessoa melhor, e que não julga
as pessoas pela 1ª impressão ou aparência.
Meu coração não é somente
amarelo, verde e azul, agora, mas também branco
e vermelho! |
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Revista
food service
Fotos de capa e interior da revista
Publicada em JUN/2007 |
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Um olhar de intensa
emoção
‘Vanessa
Lage Fotografias’ reúne trabalhos
da profissional que jogou vôlei pela
Seleção Brasileira.
Cláudia
Alcântara
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Um
instante, um momento que se eterniza. O olhar. Aquele
que imprime à imagem registrada o sentimento
de quem está por trás da lente. A
arte de fotografar exige técnica e emoção.
E se esse casamento torna-se perfeito o significado
ganha um tom meio mágico. Uma magia que salta
aos olhos numa busca incansável por aquilo
que não se pode ver. É preciso enxergar
sob o ângulo artístico. Um pouco dessa
experiência estará na Galeria de Arte
Clécio Penedo, em Barra Mansa, a partir de
segunda-feira, às 20 horas, na exposição
“Vanessa Lage Fotografias”.
A fotógrafa vive no Rio de Janeiro e antes
de se profissionalizar em fotografia jogou vôlei
pela Seleção Brasileira até
poucos anos atrás. Seu trabalho tem aquilo
que faz a diferença entre os profissionais:
estilo. “Os espaços em circulo, as
interfaces culturais e a experiência no esporte
são referências que afloram quando
me disponho a clicar paisagens, pequenos animais
e a própria condição humana”,
diz.
A fotografia “Porto Belo” (duas cadeiras),
por exemplo, é uma prova disso e foi escolhida
para ilustrar o convite da exposição,
como observa Luiz Augusto Mury, do NDC (Núcleo
de Difusão Cultural).
- Apesar de sua juventude, Vanessa consegue transmitir
intensa emoção na maioria das vezes
que “encontra” o modelo, o gesto, o
momento de sua foto – diz. “Exercitando
permanentemente o olhar na busca da angulação
e da luminosidade perfeitas”, continua, “segue
um ritual utilizado por artistas da condição
de um Muybridge, Steichen ou Stieglitz, responsáveis
entre outros notáveis pelo ‘status’
atual da arte fotográfica”.
Talvez, por isso, seja fácil perceber que
a fotógrafa é dona de grande senso
estético. Apaixonada por animais, Vanessa
vem apurando sua sensibilidade na arte fotográfica,
realizando vários cursos, tais como o do
Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial),
Rio de Janeiro, após estudar fotografia na
Itália (Roma) no ano de 2006.
Um novo talento
A fotografia hoje
exige do artista vasta gama de informações,
atributos e pesquisas que o transforma num ser provido
de conhecimentos tecnológicos: computadores,
câmeras digitais, “blogs” e “fotologs”,
sintonizado com lançamentos que a produção
científica coloca à sua disposição
num tempo extremamente dinâmico.
- Sem esse aggiornarmento (adaptação
dos princípios à nova realidade) ele
perde terreno, já que o resultado exigido
coloca-o em um nível de exigência do
qual dificilmente poderá recuar. Assim, se
posiciona Vanessa Lage no grupo de novos talentos
que surge no cenário da fotografia profissional
no Rio de Janeiro – ressalta Mury.
Mas apenas se adaptar às novidades tecnológicas
não basta. Por outro lado, é preciso
não perder o foco da eterna questão
da sensibilidade que faz do artista o ser destacado,
aquele responsável pelo toque que transforma
um simples flagrante numa obra-prima de perfeição
estética, luminosidade e presença
poética. É da união disso tudo
que nasce o trabalho de Vanessa Lage.
Esse quadro já seria motivo para justificar
uma segunda exposição de fotografias
na Galeria Clécio Penedo, este ano. “O
motivo de estarmos inaugurando uma segunda mostra
de fotografias em nossa galeria de arte este ano,
está, justamente, no incrível ‘boom’
que temos presenciado com relação
a essa forma de expressão artística”,
comenta Mury.
E tem razão, afinal, nunca se fotografou
tanto e o interesse pelo assunto, não somente
pelas técnicas e qualidades das fotos, mas
também por informações históricas
dessa incrível arte, vem aumentando consideravelmente.
Quantidade e qualidade. |
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Deixe que eu te fale breve
o que me ditas aos olhos.
Cores, tons, paz, lugares...
Imagens que chegam revelando-te,
Luz e sombra, vida e sol.
Apreendes o momento único e paralisas o tempo,
O vento guardado em molduras.
Acalentas nossas almas em preto e branco,
Em contrastes multicores constróis searas,
Onde cultivas emoções raras, claras...
Trazes contigo toda fauna e flora do mundo:
Linda captação do momento do Criador
E Suas criaturas, e nós...
Cada vez que fotografas, guardas um instante
Que nunca volta.
E compartilhas teus momentos em silêncio
Imagens que cantam,
Sons perceptíveis em pigmentos, céu e sal.
É teu amor que chega, é liberdade de ser,
De viver e brincar de parar o tempo.
A tua fotografia encanta tanto...
E fazes tão bem o teu ofício,
Que me sopram aos ouvidos anjos de toda cor
E explicam-me que toda vez que fotografas
É a ti mesmo, lá no fundo, que revelas:
Doce emoção de encantar-nos a alma.
"Para Vanessa Lage, fotógrafa, minha amiga
de tantas idas e vindas..."
POR RENATA RODRIGUES
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